Recebo esta pergunta com alguma regularidade: “já fiz um cruzeiro e o simulacro foi rápido, feito no telemóvel. Porque é que neste cruzeiro tive de fazer um simulacro completo, com toda a gente no convés?”
E não, isto não é uma novidade preocupante nem um sinal de que algo mudou para pior. É a lei do mar, literalmente, a fazer o seu trabalho.
O que diz a lei
A convenção SOLAS, que regula a segurança marítima a nível internacional, exige que todos os navios de cruzeiro realizem pelo menos dois simulacros completos por ano, com os passageiros a deslocarem-se fisicamente até ao ponto de reunião, coletes incluídos. Isto aplica-se a toda a indústria, sem exceção. Não é uma escolha, nem uma medida isolada, é uma obrigação que qualquer companhia tem de cumprir.
No dia a dia, a maioria dos cruzeiros usa o formato “e-muster”, mais rápido e feito em grande parte através da app ou diretamente na tv da cabine. É este o formato que a maior parte dos nossos clientes conhece, porque é o que acontece na esmagadora maioria das saídas. Mas de vez em quando, por exigência regulatória, o simulacro completo entra em cena. E é normal.


Porque é que isto pode gerar confusão
Aqui está o ponto. As companhias não comunicam isto de forma clara na fase de reserva. Um cliente que reserva um cruzeiro sem saber que pode calhar-lhe um simulacro completo, e que está habituado ao formato rápido de viagens anteriores, sente-se surpreendido, às vezes até incomodado, no dia do embarque. E isso pode gerar queixas que, na minha opinião, poderiam ser completamente evitáveis.
Não é falta de segurança. Não é um downgrade de serviço. É exatamente o oposto, é a prova de que a segurança está a ser levada a sério, como manda a lei, mas devia ser explicado antes da viagem, não deixar que seja a tripulação a fazer gestão de expectativas no local, no dia do embarque.
Se reservares um cruzeiro e calhares numa das partidas com simulacro completo, não penses que algo correu mal ou que a companhia está a exagerar. É rotina, é obrigatório, e devia ser visto como um sinal positivo, não como um incómodo. Prefiro sempre explicar que isto pode acontecer. No fim do dia, um passageiro bem informado é sempre um passageiro mais tranquilo, e é isso que queremos entregar em cada viagem.
Marco Lima ©cruiselovers.pt
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