Em 2002, embarquei no Paquete Funchal para fotografar um evento. Era o meu primeiro cruzeiro e não imaginava que aquela viagem iria mudar o rumo da minha vida. Hoje, perante as notícias sobre a sua venda e possível desmantelamento, custa pensar que o navio onde tudo começou para mim possa estar a chegar ao fim.
Há notícias que escrevo com entusiasmo. Outras com curiosidade. Esta escrevo com um aperto no peito.
O Paquete Funchal foi vendido em leilão e o seu futuro volta a estar envolvido em incerteza. As notícias apontam para diferentes compradores e levantam a possibilidade de o navio acabar num estaleiro de desmantelamento.
Ao ler isto, regresso a 2002. Ao meu primeiro embarque. À viagem que começou como um misto de trabalho de fotografia e diversão, acabou por despertar uma paixão que ainda hoje me leva a viajar pelo mundo.
Embarquei para fotografar um evento. Trouxe uma paixão para a vida.
Na altura, fazia alguns trabalhos de fotografia para uma revista e surgiu a oportunidade de fazer a cobertura fotográfica do Cruzeiro Fitness, organizado pelo Nuno Araújo.
Foi assim que subi a bordo do Funchal pela primeira vez, com a máquina fotográfica pronta para registar o evento e sem saber muito bem o que esperar de um cruzeiro.
Saímos de Lisboa, passámos por Ceuta, Cartagena e fizemos uma escala com pernoita em Ibiza, Gibraltar e regressamos a Lisboa. Um itinerário que, por si só, já prometia. Mas a bordo havia atividades, energia e muita, muita animação. Quem conheceu os Cruzeiros Fitness sabe do que falo. O difícil era ficar quieto.
Foi incrível.
Foi aí que comecei a descobrir o encanto de viajar por mar. Acordar num lugar diferente, sair para explorar e regressar ao mesmo navio, sem fazer e desfazer malas a cada paragem. Percebi também que os dias a bordo tinham tanto para oferecer como os destinos. O navio fazia parte da experiência, com o seu ritmo, os encontros e a vida que acontecia enquanto navegávamos.
O Funchal deixou de ser apenas o cenário do evento que estava a fotografar. Passou a fazer parte da minha história. Depois vieram outros navios, outros itinerários, dezenas de cruzeiros e muitos países. Vieram também a minha ligação profissional a este setor e veio o Cruiselovers.pt, onde hoje partilho esta paixão com tanta gente.
Nada disso estava nos meus planos quando embarquei em Lisboa, em 2002.
Fui para contar uma história e acabei por começar a escrever a minha.


O primeiro navio fica conosco
Desde essa viagem, conheci navios muito maiores, com mais restaurantes, mais piscinas e tecnologia que, em 2002, dificilmente imaginávamos encontrar a bordo e ainda assim, o Funchal continua a ocupar um lugar especial. É o navio com o qual associo a descoberta dos cruzeiros. O nome que me faz regressar àquela primeira experiência, à animação do Cruzeiro Fitness e à surpresa de perceber o quanto gostava daquela forma de viajar.
Costumo dizer que os cruzeiros não são todos iguais. E não são mesmo.
Cada navio tem a sua personalidade, cada itinerário oferece uma experiência diferente e cada viagem chega numa fase distinta da nossa vida. O Funchal chegou à minha no momento certo.
Por isso, custa um pouco ler estas notícias que podem anunciar a sua despedida…
Marco Lima ©cruiselovers.pt
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